Inovação organizacional

A chave para a resolução do problema das «quintas»

Human Edição 100

10 | human JUNHO 17 | ANO 9

A dificuldade em conseguir uma boa colaboração entre departamentos e um problema com que as organizações se vêm debatendo há muitos anos. Mesmo que haja uma boa relação entre as varias unidades orgânicas, cada uma tem a sua estratégia e o seu plano com ritmos próprios que muitas vezes não permite a colaboração necessária, por exemplo pela simples não sincronização de agendas.

Esta situação tem impacto em vários aspetos da organização, nomeadamente na geração de consensos, no alinhamento estratégico, na eficiência e na agilidade organizacionais e até na justiça relativa no tratamento de cada colaborador, uma vez que os critérios de avaliação de desempenho e de compensação poderão não ser os mesmos, ou aplicados do mesmo modo, gerando sentimentos de injustiça com impacto na motivação.

A metodologia «Mlearn» orienta a intervenção organizacional de modo a criar uma cultura de inovação, alinhamento estratégico efetivo, clarificação e operacionalização da estratégia, com desdobramento dos objetivos até às tarefas, permitindo a definição de objetivos individuais, não partilhados, mas colaborativos.

A abordagem assenta em ‘workshops’ interativos, sem levantamentos nem entrevistas, que vão construindo uma visão única e partilhada da organização, com base numa arquitetura organizacional sistémica orientada para serviços. Esta dinamização de uma reflexão estratégica na organização, de forma independente do organigrama, proporciona as condições para os colaboradores contribuírem «pensando fora da caixa», pois não têm o organigrama como referência e é proibido discutir «quem faz» e «como se faz». Esta arquitetura é a base para o desdobramento dos objetivos e indicadores únicos que suportarão

A metodologia «Mlearn» orienta a intervenção organizacional de modo a criar uma cultura de inovação, alinhamento estratégico efetivo, clarificação e operacionalização da estratégia.

o controlo de gestão, a avaliação de desempenho, o sistema de gestão da qualidade e todos os outros que existam. Cada colaborador fica com os objetivos desdobrados a partir da estratégia e decorrentes dos acordos de serviço laterais com colegas, dando resposta, por exemplo, a avaliações 360 graus.

O modelo de governação é definido com base nas equipas autodirigidas, que asseguram a gestão de cada sistema que se destina a executar uma dada competência organizacional. Neste modelo, com fronteiras organizacionais bem definidas, cada pessoa tem as suas responsabilidades igualmente bem definidas, alinhadas efetivamente pela estratégia. Cada colaborador, sabendo exatamente qual o contributo que é esperado para 0 seu desempenho e qual o impacto na estratégia, sente melhores condições propícias à motivação para colaborar em novas iniciativas e para inovar.

A modelação das equipas autodirigidas proporciona o ajustamento do organigrama e do modelo de governação de modo a garantir a responsabilização de cada equipa pelos serviços prestados. As unidades orgânicas passam a ter um contrato de gestão com base nos serviços prestados pelas equipas que gerem.

O desempenho e a compensação de cada equipa e de cada colaborador é avaliado pela qualidade dos serviços, pelo cumprimento dos acordos de serviços com outras equipas e pelo contributo para a estratégia.

A metodologia «Mleam» foi desenvolvida em 1999 e tem vindo a ser aplicada em várias organizações e ensinada em universidades, sendo objeto de estudo em mestrados e doutoramentos, encontrando-se disponível para quem estiver interessado.

Jorge S. Coelho
Chief Executive Officer (CEO)
da SisConsuIt
Jorge.s.ccelhc@sisconsult.com
Nota: Jorge S Coelho é
professor auxiliar convidado da
Universidade do Minho

10 | human JUNHO 17

2017-11-21T11:22:31+00:00